Euforia frustrada


Talvez, bem talvez, eu não esteja triste ou louco, apenas tenha me perdido de mim, talvez tenha esquecido como viver. Talvez tenha me esquecido como são as risadas em grupo, as voltas sem sentindo na madrugada fria, que são aquecidas com aquele papo sem sentindo.
Já tive pensamentos do tipo que se tem quando se cai de uma ponte, e todos as coisas que penso não fazem sentido, em várias horas do dia me pergunto, como se sorri de felicidade? E me vem à cabeça motivos de deboche, quero sentir meu coração quente e bem aquecido, mas quando o reviro, só sinto as coisas inacabadas e mau resolvidas.
Mas sinto que estou no caminho certo para me libertar de todas elas, e enfim ter uma noite alegre, com aqueles amigos que puderem viver com essa turbulência chamado eu, bom pelo menos é isso que gosto de imaginar, antes de fechar os olhos nas noites quentes. Porém, nas férias, ainda me pego chorando sem motivo certo.

Mas nem todos os dias são certos, e uma vez ou outra sou abençoado com dias nublados mas com vestígio de sol, e são nesses que eu aproveito pra ser aquele indivíduo bagunceiro e incerto, deixando todos e tudo de lado e sendo singular e único ao meu modo.

Melhor verso


Eu gostaria de falar o quanto eu gosto de você, como um fim de tarde ao relento, no alto de um morro, com a melodia perfeita, em formato de gestos, para poder morrer de beijos, mas mesmo assim, faltaria notas e estrofes para descrever.
Você tem sido minha melhor aventura, e eu nunca conseguiria te recriar para alguma das minhas euforias, tem sido não apenas meu parágrafo favorito, mas aquele que eu preciso repetir como mantra todos os dias.
Sua voz ecoa pelos meus ouvidos, como o cantar dos passarinhos as seis da manhã de domingo, e eu poderia passar todos os dias escutando suas rimas desafinadas, porque acho que no fundo não viveria com tantos sorrisos longe de você.
Eis aquele café ruim cheio de açúcar que eu tomaria todas as madrugadas, e ainda pediria para repetir, eu não me imaginaria com você, porem não seria eu sem você.

E eu gostaria de fazer uma rima e te tornar poesia, pois eis as entre linhas mais bonitas que eu ou qualquer outro poderia sentir, e o que sinto por suas estrofes, me causam arrepios.

Meu oceano


Me sentia como um peixinho minúsculo num oceano sem fim, era assustado e solitário, não conhecia ninguém e nem lugar algum, era cheio de sonhos e vontades, mas meus medos e desesperos superavam as curiosidades que transbordavam em minha mente.
Ao longo dos anos, não pude evitar alguns peixes perdidos que queriam algum sentindo, para continuarem nadando, e também não se nega ajuda a alguém perdido, isso acabou me ajudando, fui percebendo que nem todos os peixes maiores iriam me devorar, não era pelo meu tamanho pequeno que não teria força para ir contra à maré.
Um desses peixes enormes e assustadores quis me levar além do que eu poderia ir sozinho, o que eu não sabia era que ele tinha tanto medo quando eu. Saímos mar a dentro, conhecemos cardumes tão diferentes, falamos em nunca mais voltar sem conhecer todos, mas um dia ele não quis mais nadar ao meu lado e desde então nado sozinho.

E isso não é algo ruim nem de longe, pela primeira vez não tive medo de estar apenas comigo, é como se nada fosse me impedir, agora eu sei que tudo que preciso está onde estou, que sou eu e apenas eu que iriei impor limites para mim.

Fýsi


Eu sentia o mundo inteiro, mas ainda assim não era suficiente, eu apenas queria conhecer, saber e ver, poder ver por todos os ângulos. Eu sentia dentro de mim um vazio que transbordava diversas coisas, lembranças de tanto ódio que imperava a destruição, devastação do meu próprio povo, pelas nossas mãos, entre nossos dedos, escorriam tudo que éramos e o que poderíamos ter.
Jogávamos nossas ferramentas mata a dentro esquecendo de onde vinham as raízes e seus poderes, não poderíamos ter adormecido por tanto tempo, então eu sabia, dentro de mim eu sabia e sentia, poderia saber que em sua grandeza estaria sempre em volta de nós, eu pedi, implorei, supliquei inúmeras vezes, até perdi a conta, eu queria ser você, queria entendê-la, não apenas uma parte, eu queria ser começo meio e fim, eu seria seu amante, cuidar e zelaria por seus pulmões.

Me aceitasse como uma mãe, me ensinou como um avô, me puniu como um pai e me zelou como uma avó, eu aprendi tanto, que em fim, pude descobrir as maravilhas de ter você em meus braços, dos lábios às mãos, em todo o meu corpo, na minha alma, você era minha, eu a sentia em todo o meu ser, em fim eu era índio e lobo, fogo e água, céu e terra, e eu era tudo aquilo que eu gostaria de entender, e sua beleza era imensa como o mar, seu perfume era como um jardim de rosas, e sua voz era um turbilhão em plena melodia, você era por inteira, verdadeira em sua sabedoria, guerreira implacável, todos deveriam te saudar e reverencia-la como deusa.

Devaneio de guerrilha


Do rádio ecoava umas músicas estranhas do meus netos, mas dentro de mim liberava uma velha sensação, que conhecia tão bem quanto meu próprio corpo, dentro de mim implodia uma chama de glória. Ao contar e relembrar tão vividamente todas aquelas histórias, tão chatas para os meus netos, elas ficaram tão nítidas que poderia jurar que estavam acontecendo neste instante.
No fundo eu sei que é apenas, mais um de meus devaneios de rotina, pois todas essas conquistas sangrentas são tão reais como esse meu corpo velho e mutilado sem utilidade, ao menos posso me vangloriar com todos esses momentos do passado, me orgulhar de todos os companheiros que tive o privilégio de guerrear e de todos os que não foram tão bons assim, mas acima disso tudo sempre fui honrado em minhas atitudes.
De todas as missões impostas a mim durante todos os meus anos de glória, apenas não realizei uma, não que não conseguiria cumprir, mas por ter esquecido uma regra básica. Este foi meu adeus a essa vida conturbada, cheia de mortes e feridas, eu não poderia continuar machucando sem me machucar e eu não poderia arrastar comigo alguém.

Eu não poderia machucar alguém de olhos tom de mel, tão brilhantes como o sol, lábios que foram desejados por muitos homens antes de mim, seios fartos, uma bunda que me faz palpitar, me balançar querer algo que nunca imaginei ter, em todos os meus anos de guerra nunca estive tão realizado como naquela noite que fugimos, nunca estive tão realizado como estou agora jogado em volta de meus netos contando momentos de gloria, agora, sem importância.

Tenho saudade


É, é bem clichê mesmo, mas todos os clichês são sinceros e fáceis de entender. Eu sinto saudades, e tem dias que é tão forte que mal cabe dentro de mim, e é normalmente quando me agito sem motivo, dou chilique sem plateia e tomo banhos longos e quentes para sentir o mínimo de conforto ao final de um dia.
Eu gostaria de deixar para lá, e as vezes eu consigo, eu esqueço o motivo de estar como estou, mas acontece que um monte de coisas vão acontecendo, vou ficando triste, brava e tão estupida quanto um dia de chuva, acabo por me afastar e nem me dar ao trabalho de responder mensagens, simplesmente acabo sumindo, é difícil esquecer mas é bem mais lembrar.
E quando lembro, não consigo me acreditar que ainda dói tanto, que é tudo tão difícil, e que tudo o que eu queria era um abraço, um colo um chamego, e tem dias que são tão ruins quanto as noites mal dormidas que tudo me lembra você, mãe! Eu nunca me permitir falar tão seriamente, mas as vezes tudo se torna uma enorme confusão de ódio e revolta que a única coisa que tenho vontade é de desistir, de não continuar apenas deitar e chorar.
Essa não é a pior parte, porque, por mais difícil que parece eu já superei você ter ido tão cedo, o que se torna horrível é que aos poucos eu já não lembro o teu cheiro, mas me alivio sentindo o doce perfume que você sempre usou, que agora uso também, não recordar como era sua voz e já faz tanto tempo que mal consigo lembrar se ela era tão doce quanto em minha memória, se seu sorriso era grande ou pequeno, as pequenas coisas que aos poucos vão sumindo e eu não consigo prender dentro de mim, tem vezes que por mais que eu tente eu não consigo se quer lembrar do seu rosto, e é nessas horas que me desespero e meu coração se aperta porque eu a amo tanto, e mal consigo lembrar quem você era, e isso me dói de um jeito que não sei explicar, me incomoda e acabo por incomodar à todos.
E isso me toma de um jeito, que mal consigo olhar nos olhos de qualquer um sem me encher de lágrimas e por um breve momento, querer apenas chorar e ser um bebê novamente, e há tantas pessoas aqui por mim que já não há alguém que não saiba a dor que tenho em mim por não ter você.

Dia ruim


As vezes você acorda pela manhã e percebe que a caneca esta lascada, o pão não está tão assado, e as minutos estão voando, você sai atrasado e chega em cima do horário no trabalho, e dali em diante decide que seu dia será ruim, que não conseguirá entregar o resultado, que o almoço será queimado, e a tarde infinita, que ao sair do escritório passará voando até o horário de dormir, que mal terá tempo de passar um café, imagina tomar uma, tomar um banho relaxante, mas tudo o que você enxerga são momentos péssimos.
Mas esquece que se tivesse saído de casa no horário, poderia ter acertado o ônibus na saída do portão ou pegado o pedestre na esquina, deixe de olhar o mundo de uma forma tão padrão e pessimista, olhe que você acordou cheio de vontades para a sua noite e passará o dia planejando ela, veja que você não está nem na quarta mas já almeja a sexta para aquele jogo de poker após expediente ou o cinema no domingo.

Se seus planos não estão indo tão bem quanto você gostaria, não quer dizer que eles não darão certo, só quer dizer que você terá caminhos diferentes, só quer dizer que você esqueceu um ou dois despertadores ou ficou cantando demais no chuveiro. Se você se atrasou na saída se adiante na chegada, não é porque você não sabe onde quer chegar que você não precisa saber como ir, talvez você só precise pesar fora da caixa para saber onde chegar.